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  • Jose Edmar Gomes

GRAFITE

Atualizado: 18 de out.

A arte do spray vence preconceitos

Parede Grafitada

Há muito tempo trava-se discussão sobre o valor artístico do grafite. A polêmica cresce mais quando se confunde a arte dos grafiteiros com o mau gosto e a ousadia dos pichadores, que sempre deixam suas marcas nos muros ou paredes recém-pintados, na calada da noite, através de alfabeto tosco, de cores mórbidas, só compreensível aos membros dos grupos que o dominam.


Considerada vandalismo, a pichação é crime e pode receber pena de até um ano de detenção e multa, de acordo com a Lei 9.605/98, caso a intervenção dos pichadores “conspurque” monumentos urbanos, tombados pelo valor artístico, arqueológico ou histórico.


A grafitagem também pode ser punida pela mesma lei, mas, pelo seu resultado estético, já é considerada uma forma de arte, que recebe autorização e é muito bem-vinda em certos espaços urbanos, tanto públicos como privados.

Assim, muitos grafiteiros são valorizados como artistas e sua arte está estampada nas paredes do mundo, como é o caso do paulistano Eduardo Kobra, que saiu do modesto bairro Jardim Martinica para pintar murais em todo o mundo, entre os quais “O Beijo”, em Nova Iorque, que representou a alegria das pessoas com o final da segunda guerra mundial; e “Etnias”, painel de 2,5 metros quadrados, pintado no Rio de Janeiro, por ocasião das Olimpíadas de 2016.

Em Brasília, o grafite avança como arte e já é aceito nos meios acadêmicos, como a UnB, onde o licenciado em Artes Visuais, Frederico Duarte Calmon Carvalho, desenvolveu um plano de ensino, denominado Projeto Grafitti nas Escolas, que foi aplicado nas escolas públicas, durante um ano e meio, como parte dos programas de Estágio Supervisionado da Universidade.


O Projeto integrou grupos de alunos, jovens e adultos, na pintura de espaços do interior das escolas, devidamente autorizados, com temáticas contemporâneas, como o Dia da Consciência Negra, no CEMEB; e o Dia do Professor, no CESAS.

Frederico Duarte Calmon Carvalho, cujo nome artístico é Rato, tem obras espalhadas por Sobradinho, Sobradinho II, Ceilândia. Na Asa Norte, as quatro paredes da subestação da CEB da 409 ganharam cores vivas e imagens fortes, que dinamizaram o aspecto do ambiente e receberam elogio dos moradores, a partir do manejo seguro do seu spray.


A arte de Rato, também já chegou ao Teatro Nacional, onde, há alguns anos, o Foyer da Sala Villa Lobos recebeu a Exposição Cidade do Graffiti, com obras dele e mais 69 grafiteiros do DF. Rato também pontificou no 3º Encontro de Grafitti do DF, na Galeria Nova Ouvidor do Setor