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Entrevista Bartolomeu Rodrigues/ “O ano de 2021 é de obras para a Cultura do DF”


O ano de 2021 da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) está pautado em seis eixos, envolvendo obras em equipamentos culturais chaves para o Distrito Federal. Do Teatro Nacional Claudio Santoro e Museu de Arte de Brasília (MAB), em caminham para restauro e reabertura respectivamente, ao Museu da Bíblia, que tem concurso lançado para escolha de projeto arquitetônico, o secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues, aponta os caminhos de trabalho numa entrevista ao Correio Braziliense, desta quarta-feira (20.11).


SEIS EIXOS 2021

“Este é o ano de obras na cultura. A Secretaria está com seis eixos que implicam obras simples e mais complexas. Começa pelo Teatro Nacional. O MAB (foto) está pronto, esperando para cortar a fita. A Fazendinha, complexo na Vila Planalto, nós queremos transformar, mais ou menos, como no Museu Vivo da Memória Candanga. Em breve, terão obras no anexo do Museu da República. Será um restaurante escola, que faremos em parceria com a Secretaria de Educação. Vai ser um point. É um projeto lindo. Tem o Museu da Bíblia, que não posso deixar de falar. A Praça dos Três Poderes, que o governador quer totalmente recuperada. Será um projeto grande. Ali também está inserido o Espaço Lucio Costa, que a gente está com um projeto para oferecer conteúdos digitalizados em 3D.”


MUSEU DA BÍBLIA 1

“Em relação ao Museu da Bíblia, enfrento com muita tranquilidade. Não é dizer que estou defendendo e brigando. A questão é posta da seguinte forma: o governador Ibaneis Rocha assumiu um compromisso de campanha pela construção do Museu da Bíblia e não está inovando. Ele resgatou um projeto de 1995 (assinado pelo então governador Cristovam Buarque/Lei 900 de 08_08_1995). O que ele pediu à secretaria, estamos entregando: o projeto de um museu”


MUSEU DA BÍBLIA 1 “Em relação ao Museu da Bíblia, enfrento com muita tranquilidade. Não é dizer que estou defendendo e brigando. A questão é posta da seguinte forma: o governador Ibaneis Rocha assumiu um compromisso de campanha pela construção do Museu da Bíblia e não está inovando. Ele resgatou um projeto de 1995 (assinado pelo então governador Cristovam Buarque/Lei 900 de 08_08_1995). O que ele pediu à secretaria, estamos entregando: o projeto de um museu”

“Fizemos um Termo de Referência para a construção de um museu, não de um templo, mas com museólogos.”

O governador quer que o projeto seja executado com recursos de emendas parlamentares. Falaram algumas coisas precipitadas, como R$ 80 milhões, mas ele é orçado em 26 milhões para fazer numa área destinada de 7 mil metros quadrados. Já tem R$ 14 milhões assegurados por emendas parlamentares, ligadas à bancada evangélica. Confesso que esse dinheiro não está na secretaria, está indo diretamente para a Secretaria de Obras. O Distrito Federal entra com o terreno, que já estava destinado. Nós estamos lançando o projeto para saber como vai ser o desenho do museu.”

MUSEU DA BÍBLIA 2 “O concurso está oficialmente lançado. Mas, tem alguns termos referências que precisam ser atualizados. Daqui a mais ou menos 30 dias é que estaremos aptos a começar a receber as propostas. Nós lançamos, e isso significa que muitos escritórios interessados estão trabalhando, sabem qual é a premiação do concurso (R$ 122 mil). Está tudo no edital. Mas, os ajustes são feitos em comum acordo com a Procuradoria-Geral do Distrito Federal, para não ter erro no projeto e ser questionado.”


EQUIPAMENTOS CULTURAIS

“Nós aproveitamos a pandemia para recuperarmos e restaurarmos todos os equipamentos, com exceção do Catetinho, porque lá é mais complexo. Na semana passada, fizemos o trabalho no Museu Vivo da Memória Candanga (foto). Também trabalhamos no Espaço Oscar Niemeyer, no Museu do Índio. Trabalhos em todos os espaços, aproveitando que estavam fechados. Identificamos vários problemas. Agora, eles não estão funcionando a todo vapor, porque estamos na pandemia.”

“Nossos espaços não estão abandonados. Estão fechados.”

OBRAS DO TEATRO NACIONAL 1

“Por mim, estava com tapume e obras. Mas o governador ponderou, para não se criar falsa expectativa. Queríamos fazer algumas obras que independem do financiamento, como a fachada. Ocorre que passamos um ano consertando os absurdos administrativos que foram cometidos no passado. Estamos esse tempo todo gastando tempo, saliva e cérebro para desatar cada nó desses problemas que foram deixados. Entre a vontade e a legalidade, há uma distância. O agente financeiro é a Caixa Econômica Federal. O dinheiro está lá na Caixa, os R$ 33 milhões para a Sala Martins Pena, para serem usados. Pegamos projeto incompleto, falta de informação, defasagem, uma série de problemas técnicos-jurídicos que engessaram a secretaria e a Novacap. A gente acha que, a partir de março, desata (todos os nós), até porque, se não fizermos isso, a gente perde os prazos e teremos que devolver o dinheiro.”

“O dinheiro está lá na Caixa, os R$ 33 milhões para a Sala Martins Pena.”

OBRAS DO TEATRO NACIONAL 2

“Por mim, estava com tapume e obras. Mas o governador ponderou, para não se criar falsa expectativa. Queríamos fazer algumas obras que independem do financiamento, como a fachada. Ocorre que passamos um ano consertando os absurdos administrativos que foram cometidos no passado. Estamos esse tempo todo gastando tempo, saliva e cérebro para desatar cada nó desses problemas que foram deixados. Entre a vontade e a legalidade, há uma distância. O agente financeiro é a Caixa Econômica Federal. O dinheiro está lá na Caixa, os R$ 33 milhões para a Sala Martins Pena, para serem usados. Pegamos projeto incompleto, falta de informação, defasagem, uma série de problemas técnicos-jurídicos que engessaram a secretaria e a Novacap. A gente acha que, a partir de março, desata (todos os nós), até porque, se não fizermos isso, a gente perde os prazos e teremos que devolver o dinheiro.”

“O dinheiro está lá na Caixa, os R$ 33 milhões para a Sala Martins Pena.”


“Acredito fortemente que, começando a Martins Pena, o resto vem. Porque a gente quer sensibilizar a iniciativa privada. Estamos com conversas bem adiantadas com o BRB (que assinou protocolo de intenções para revitalização do Teatro Nacional em 2020) para assumir uma parte. Não posso adiantar mais dessas negociações, porque não estão concluídas. Mas, o governador está empenhado nisso. Conversei com empresários fora de Brasília, algumas propostas interessantes, outras não. Mas, algumas são concretas, dá para conversar. A gente está debruçado sobre essa questão. O Teatro Nacional não pode ser cobrado jamais como um descaso do governador Ibaneis Rocha.”


“O Teatro Nacional é bandeira de honra desse governo.”

“De R$ 36,9 milhões que nós tínhamos para executar, executamos o equivalente a 90,5%, para 2.905 agentes empenhados, que eu acho que foi um feito heroico para o Distrito Federal. Se nós tivéssemos tido um pouquinho mais de tempo, três dias a mais, nós teríamos executado na totalidade. Em dezembro de 2020, nós praticamente fechamos a secretaria para trabalhar exclusivamente com a Aldir Blanc. Agora, estão mexendo na medida provisória (que autoriza a extensão do prazo para utilização dos recursos da Lei Aldir Blanc). Pouca gente sabe que a Secretaria de Cultura está dando uma assessoria direta ao ministério para redefinir (o processo), porque temos expertise muito boa. Então, não precisa ficar “onde está o dinheiro?” O dinheiro está aqui e será bem usado, como foi. Mas, será na forma da lei. É dinheiro público.”

“Vamos aproveitar (toda experiência da Lei Aldir Blanc) para fazer uma radiografia atualizada da cultura do DF.”


ECONOMIA CRIATIVA “Acho que, em primeiro lugar, vamos investir mais em capacitação dos produtores culturais. O FAC é um grande instrumento, idealizado dentro da Lei Orgânica da Cultura (LOC). Isso é grande conquista. O Estado tem o papel de fomentar a cultura, mas tem um momento que o Estado tem que se retirar, porque a cultura não pode ser atrelada ao Estado, senão vira uma cultura estatizada.”

“Quero capilaridade para o FAC. Quero ser inclusivo.”

MEU PRIMEIRO FAC

Esse olhar para a periferia estou tendo não com viés pedagógico ou retórico, porque sei que estão sendo produzidas coisas na periferia sem ajuda do Estado. Então, está na hora da gente chegar lá, ajudá-los. Não vejo a hora de lançar imediatamente, em 2021, o Meu primeiro FAC. Esse é o papel do Estado. Em vez de discutir cultura, fico discutindo recursos. A sensação que me dá é que a Secretaria de Cultura e o secretário — desde antes — são, na verdade, despachantes. Talvez fosse mais cômodo, se eu ficasse aqui só repassando. Tenho uma preocupação de política cultural. Mais do que isso, tenho compromisso, quero fazer política cultural na veia. Tenho um passado, um presente e um futuro nessa cidade. Vejo o FAC como uma coisa mais abrangente. Quero capilaridade para o FAC imediatamente. Quero ser inclusivo. Todos na mesma energia. Estamos passando por período muito difícil, mas, mesmo nesse período, o que o Distrito Federal fez é de realmente honrar a tradição cultural de Brasília e o título de Brasília ser Patrimônio Cultural da Humanidade.

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br




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