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  • Jose Edmar Gomes

DELEGADA JANE KLÉBIA

Mulheres são vítimas do machismo estrutural

A delegada Jane Klébia profere palestra na Praça das Artes Teodoro Freire de Sobradinho (Fotos: Priscila do Carmo)


A Dra. Jane Klébia, que se estabeleceu em Sobradinho, com sua família, ainda criança, em 1960, e foi sua administradora, em 2016/17, no Governo Rodrigo Rollemberg, tem total expertise no trato com a violência doméstica, a partir de sua atuação como investigadora e como delegada em Planaltina, Paranoá e na Estrutural.


A advogada e também professora, que é uma das palestrantes mais requisitadas de Brasília, quando o assunto é feminicídio, foi a principal atração da segunda Feira da Arte e dos Direitos Humanos, realizada pela Associação Artise de Arte, Cultura e Acessibilidade, na Praça das Artes Teodoro Freire, no domingo, 8 de maio.


Após sua palestra, prestigiada por dezenas de mulheres e alguns homens, Jane falou ao site sobre violência e as questões estruturais que fazem da mulher vítima do machismo estrutural que, ao invés de diminuir, está crescendo no Brasil e no DF.


Para ela, o principal fator que justifica o feminicídio é mesmo o machismo estrutural, que está arraigado na sociedade, a partir do momento que os homens colocam as mulheres no lugar de coisas ou em determinado lugar do qual elas não podem sair.


ENGANO FATAL

“Quando a mulher resolve pensar, estudar e crescer na vida já são motivos para o marido, namorado ou companheiro, como agressor, tentar colocá-la no lugar que a sociedade diz que é o lugar dela”, observa a delegada.


Para a delegada, esse machismo está na raiz dos crimes contra a mulher e deve ser atacado pela educação e pela intervenção das famílias, pois, em regra, as famílias ainda acham que não devem se meter no relacionamento. “O que é um engano e pode ser fatal”, adverte.


Jane Klébia também observa que o Estado deve ser mais eficiente no atendimento às vítimas e não se restringir apenas ao registro de ocorrências.

“É preciso dar condições de sobrevivência. Oferecer qualificação e financiamento para a mulher produzir o que ela aprendeu e depois vender seus produtos nas feiras ou mercado; assim como ter acesso a vagas em creches para seus filhos”.


A delegada observa ainda que o Estado precisa identificar esta mulher, conhecer suas dificuldades e necessidades, para fornecer-lhe uma ajuda completa, para tirá-la do ciclo vicioso da violência.

“É necessário preparar a família para fazer o acolhimento desta mulher e o Estado precisa estar presente, já na delegacia, com uma cesta de serviços para atendê-la,” propõe a delegada.

Mulheres de Sobradinho e da Saída Norte atentas às recomendações de Jane Klébia.


ORIGEM DA VIOLÊNCIA

Jane Klébia explica, ainda, que muitas mulheres não se dão conta de que estão vivendo uma situação de violência e cita exemplos desta realidade quando o marido, namorado ou companheiro xinga a mulher, diminui a autoestima dela ou coloca na sua boca palavras que ela não disse.


“A sociedade tem que fazer a mulher ver que aquilo que a afeta dentro de casa pode ser violência, seja moral, psicológica ou sexual. A família e os amigos também precisam fazer seu papel e alertá-las sobre aonde esta situação vai chegar,” adverte.


A partir de sua experiência policial, Jane Klébia afirma que a melhor atitude a tomar é fazer a ocorrência, o quanto antes, de onde poderá vir todo um ciclo de apoio às vítimas de violência doméstica.


“A defesa da mulher vítima de violência envolve o Estado, a sociedade, os amigos e a família. A gente precisa dizer isto às pessoas”, recomenda.


A origem da violência, segundo a delegada, está na incapacidade das famílias de preparar os filhos para superar as frustrações. Para ouvir um NÃO.


“Quando eles crescem e entram num relacionamento querem que tudo seja do jeito deles e, quando uma mulher lhes diz NÃO, eles querem retaliar com xingamentos e agressões,” explica.


Para a advogada, a melhor maneira de superar esta realidade cruel é a intensificação da educação, que é o pilar social mais importante, juntamente, com o fortalecimento das famílias e o acesso ao conhecimento.

Após a palestra, as mulheres se confraternizaram com muita alegria


CELULAR

A delegada garante que, hoje, o celular é um dispositivo importantíssimo na formação dos jovens. Para o bem e para o mal, pois a tecnologia está ao alcance das crianças/adolescentes e é usada até para controlá-las.


Mas nem pais, nem educadores têm noção do que os jovens estão consumindo. Na maioria das vezes, segundo Jane, são mensagens rápidas e efêmeras, que saem da memória rapidamente.


“A sociedade perde oportunidade de levar reflexão aos jovens, enquanto estamos demorando a assimilar a tecnologia que poderia ser usada a nosso favor e a nosso serviço. Esta tecnologia pode nos engolir,” finaliza a delegada Jane Klébia do Nascimento Silva.

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