blog

  • Jose Edmar Gomes

Autoridades falam sobre situação das mulheres da periferia do DF

Atualizado: 1 de abr.

Entre as autoridades presentes na solenidade de encerramento do Projeto de Valorização da Mulher e Combate ao Machismo estavam o presidente da Câmara Legislativa do DF, Rafael Prudente (MDB); o diretor-geral do Dentran-DF, Zélio Maia da Rocha e o pastor Darley César, dirigente das Instituição Mar Vermelho. Eles se posicionaram sobre o crescimento do feminicídio; a situação das mulheres da periferia do DF e sobre as ações (ou a falta delas) do Governo do Distrito Federal em defesa das mulheres. Veja, abaixo, a opinião de cada um:


RAFAEL PRUDENTE

A Câmara vai dar resposta às mulheres

- Como o Senhor vê a situação das mulheres da periferia de Brasília?


-As mulheres estão sendo cuidadas. O governo lançou alguns programas sociais para cuidar das famílias, pois temos muitas mulheres chefes de família. Eu tive oportunidade de prestar conta de alguns projetos, que foram votados na Câmara contra o feminicídio, contra a violência doméstica e outros que favorecem o cuidado com a saúde das mulheres. Mas, ainda, temos uma série de desafios que estamos trabalhando na Câmara Legislativa para dar resposta às mulheres.


- A que o Senhor atribui o crescimento do feminicídio no DF?


- Este é um dado complexo que a Secretaria de Segurança tem trabalhado. O índice de feminicídio, felizmente, têm diminuído, mas, infelizmente, continuam constantes no DF e em todo o Brasil. A Câmara Legislativa fez uma campanha maciça contra o feminicídio, temos destinado recursos para combater este tipo de crime e fizemos até um CPI para investigar casos de feminicídio. As Polícias Civil e Militar, também, estão comprometidas. Esta é uma luta que não acabou e não vai acabar, mas que a gente tem que acompanhar de perto para reduzir, cada dia mais, estes casos.


- Neste momento e neste contexto político e social quais seriam as necessidades maiores das mulheres Do Distrito Federal?

- Mais independência, mais oportunidades, mais emprego, mais qualificação profissional, mais estudo... uma série de ações, neste sentido, precisa ser tomada. As mulheres avançaram muito, com o passar do tempo, mas é preciso que avancem muito mais.


ZÉLIO MAIA

As leis precisam ser colocadas em prática

- Como o Senhor Vê a realidade das mulheres da periferia do DF?


- As mulheres da Periferia de Brasília têm um problema grave, que é a situação financeira. Isso faz com que a dependência dos provedores seja maior. O trabalho de uma associação, como está de Sobradinho II, vem exatamente no sentido de melhorar esta relação desigual na periferia. Sabemos que, quanto mais as mulheres sobem de classe social, menos dependência elas terão de seus provedores e, obviamente, mais respeito. Dependência, normalmente, gera violência e o trabalho desta associação é proteger as mulheres. Por isso, a Associação de Mulheres de Sobradinho II está de parabéns.


- Que políticas públicas o governo do DF disponibiliza a favor das mulheres em situação de vulnerabilidade?


- Costumo dizer que o Brasil já tem leis demais para proteger a mulher. O que falta é colocar em prática. Não adianta nada, você ter uma lei como a Maria da Penha, se não se ela não for executada fielmente. O Estado precisa estar sempre presente, dando apoio, auxiliado pela sociedade civil. Eu sempre chamo a atenção para isso, porque o poder público nem sempre pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Então, entidades associativas, como esta Associação de Mulheres de Sobradinho II, podem auxiliar o poder público.


A quê o Senhor atribui o crescimento do feminicídio, no DF?


- O feminicídio cresceu muito, não só no DF, mas em todo o Brasil. A pandemia, talvez, tenha acentuado o crescimento deste tipo de crime. No DF, a criminalidade, de forma geral, baixou; mas, infelizmente, o feminicídio, que ocorre dentro de casa, é mais difícil de ser combatido.


PASTOR DARLEY CÉZAR

Mulheres da periferia criam seus próprios espaços

O pastor Darley Cézar, presidente do Centro de Reintegração Mar Vermelho, que fica no Núcleo Rural Sobradinho II, próximo ao restaurante Trem da Serra, é um dos ativistas sociais que convive diariamente com as mazelas advindas das, drogas, alcoolismo e violência. Ele se fez presente na solenidade de encerramento do Projeto de Valorização das Mulheres e Combate ao Machismo, da Associação de Mulheres de Sobradinho II.

A instituição que Darley Cézar dirige já recuperou centenas de jovens que, hoje, são profissionais liberais ou são atuantes no mercado de trabalho, com a grande conquista de terem vencido o vício, graças ao método desenvolvido no Centro reintegração Mar Vermelho, que também acolhe cerca de 80 mulheres, no Projeto Dança Terapêutica.


Para o pastor, as mulheres da periferia estão criando seus próprios espaços, porque aprenderam que precisam ir a campo buscar suas próprias oportunidades. Segundo Darley, apesar de não se ver uma política em volta da mulher, a valorização das mulheres não está deixando de acontecer por causa disso.


O pastor observa que as associações e instituições voltadas às mulheres têm sido um forte braço no crescimento social, espiritual, emocional, físico e mental das mulheres da periferia do DF. Darley respondeu às seguintes perguntas a este site:


- As mulheres da periferia sofrem com violência doméstica, desemprego, fome... mas as mulheres da classe média também são vítimas de feminicídio, como o senhor vê esse quadro?


- É preciso, primeiramente, entender o ser humano como um todo, já está na hora do homem deixar de depender das mulheres para tudo, dizer que ele é tudo, e passar a cuidar mais das mulheres. Esta tem sido uma bandeira que eu tenho defendido, porque as mulheres, apesar de toda a evolução, ainda carecem de mais atenção, sobretudo dos homens.


- As ações do governo têm alcançado as verdadeiras necessidades das mulheres da periferia do DF?

- Eu estou aqui, numa associação de mulheres, em ação no dia delas. Tenho certeza que o dedo do governo chegou aqui, mas não de forma suficiente. O governo tem investido pouco nas mulheres da periferia e nas mulheres do Brasil, que muitas vezes, são de fato, as chefes da família. Mas tá chegando a hora em que uma mulher vai assumir o governo do Brasil.


- O governo também investe pouco (ou mal) na educação, saúde e segurança. O poder público parecer desprezar as prioridades sociais...


- Na verdade, o governo tem sido omisso, mesmo, no que tange a certas demandas sociais. As gestões atuais, federais e estaduais, não atendem às necessidades mais prementes das mulheres.


- Que ações a instituição que o senhor dirige tem feito para empoderar as mulheres?


- Graças a Deus, desenvolvemos o Projeto Dança Terapêutica, que ministra aulas de dança para cerca de 80 mulheres que, também, são tratadas de depressão, síndrome do pânico e de outras doenças. Elas estão agradecidas e recuperando a autoestima.

DESTAQUES